Há seis anos, num contexto de ameaça ao ensino particular e cooperativo com contrato de associação, foi constituída uma associação de professores – APEPACA – que se propunha “defender os direitos e interesses socioprofissionais dos professores do ensino particular e cooperativo com contrato de associação e lutar pela sua efectiva concretização”.
Hoje, perante os ataques de que as escolas particulares e cooperativo de ensino gratuito estão a ser alvo e que podem colocar em crise a sobrevivência destas escolas, os postos de trabalho de professores e trabalhadores não docentes e os direitos e interesses legítimos dos alunos, da família e da comunidade, esta associação tem-se desdobrado em esforços e iniciativas para sensibilizar quem tem a possibilidade de inverter esta situação.
No dia 16 de Novembro, uma delegação da Associação de Professores do Ensino Particular e Cooperativo com Contrato de Associação (APEPCCA), constituída por cinco professores, deslocou-se à Assembleia da República a fim de sensibilizar e pedir esclarecimentos aos diferentes grupos parlamentares relativamente à situação criada por um decreto-lei aprovado pelo Governo a 4 de Novembro que altera dramaticamente o Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo e revoga quase todos os normativos legais que legitimavam e suportavem juridicamente o ensino não estatal e a sua acção.
Neste contexto, a APEPCCA manifestou, de forma clara e incisiva, a sua preocupação junto de cada um dos grupos parlamentares.
A reunião com o PS decorreu com as deputadas Paula Barros e Isabel Coutinho e o encontro com o PSD decorreu com o deputado Emídio Guerreiro. Com o CDS/PP, a APEPCCA dialogou com o deputado Michael Seufert e com o PCP e o Bloco de Esquerda a associação foi recebida, respectivamente, pelas deputadas Rita Rato e Ana Drago. Todos esses deputados são membros da Comissão Permanente da Educação e Ciência da Assembleia da República.
Em todas as audiências em que a APEPCCA foi cordialmente recebida por todos os Deputados, os professores manifestaram as suas preocupações e receios relativamente ao futuro das escolas com Contrato de Associação, considerando as implicações do diploma recentemente aprovado em Conselho de Ministros de 4 de Novembro. Aos parlamentares foi transmitido que a decisão do Governo de rescindir os contratos das escolas com contratos de Associação no final deste ano lectivo e de não renovar automaticamente os mesmos provocará a insegurança e a instabilidade laboral dos professores do Ensino Particular e Cooperativo.
Mais frisaram os Professores da APEPCCA que essa instabilidade que o decreto-lei introduz poderá gerar rescisão dos contratos gerando-se mais desemprego, injustiça e instabilidade social.
Acresce que não está assegurada a igualdade de oportunidades no Concurso Nacional de Colocação de Docentes, pois os Professores do Ensino Particular e Cooperativo com Contrato de Associação apenas podem concorrer em segunda prioridade. Situação esta que, conforme foi transmita a todos os Deputados, consideramos injusta tendo em consideração o serviço público (reconhecido pelo próprio Estado) que estes docentes têm vindo a desempenhar.
A delegação da APEPCCA enumerou outros pontos de muita importância em que assume profunda discordância e preocupação com a aprovação deste diploma. Nomeadamente:
1. O prejuízo para os cerca de 8.000 professores que vêem ser posta em causa, abruptamente, uma opção de vida ao longo de muitos anos;
2. O facto de, com a revogação da legislação, os professores com vários anos de serviço serem despedidos, não havendo garantias de estarem salvaguardados os seus direitos laborais;
3. O evidente retrocesso económico, social e cultural para as comunidades onde estas escolas estão implantadas pois desde há algumas décadas estas escolas tem prestado um serviço educativo, social e cultural de inestimável valor e inquestionável qualidade partilhando os seus recursos físicos e humanos com as autarquias, associações de pais e outras entidades do meio, na perspectiva da promoção de um desenvolvimento local integrado e sustentável.
4. O desperdício de recursos físicos, de património estrutural e humano, pagos com dinheiros públicos ao longo dos anos.
5. O valor de financiamento proposto pelo Ministério de Educação para as escolas com Contrato de Associação que se considera manifestamente insuficiente para sustentar o normal funcionamento destas escolas.
7. Clareza e transparência dos números apresentados pela Ministério da Educação quando faz comparações entre os custos no preço da educação no ensino publico e o ensino nas escolas com contrato de associação;
6. A liberdade de Ensinar e de Aprender em Portugal, direito constitucionalmente consagrado a todos os portugueses.
Os deputados mostraram-se sensibilizados e preocupados com a situação apresentada pela delegação da APEPCCA e manifestaram a intenção de chamar o diploma ao Parlamento caso seja promulgado, a fim de ser analisado e, se possível, alterado.
Afirmaram já terem questionado o Ministério da Educação sobre alguns aspectos do documento em causa, estando à espera de uma resposta por parte do Ministério.
Fonte: http://www.eidh.eu/magazine/?p=6226&cpage=1
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