O ensino público dividiu os portugueses em três grupos: a casta, os carenciados e os desmancha-prazeres. A casta do ensino público caracteriza-se por fazer discursos inflamados em defesa da escola pública; por em alguns casos gozar duma comparativamente boa condição profissional à conta dessa escola pública - o caso dos sindicalistas - e muito particularmente por não confiar durante a escolaridade obrigatória os seus filhos e netos ao ensino público, a não ser muito excepcionalmente nas chamadas turmas dos filhos dos professores.
Os carenciados são aqueles que colocam os seus filhos no ensino público e a quem dizem que ele é gratuito. É em nome deles que são feitas todas as reformas do ensino, sendo que são também eles as principais vítimas do insucesso dessas reformas. Arranjam frequentemente moradas falsas para que os seus filhos vão para uma escola pública que lhes disseram melhor e fazem telefonemas a professores conhecidos para que lhes arranjem uma turma sem problemas. Mas nunca assumem isso publicamente, porque tal seria imediatamente penalizado pelo discurso da casta que controla a escola pública e que garante que não é correcto procurar transferir os filhos duma escola pública para outra invocando outro argumento que não o da morada.
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