segunda-feira, 20 de junho de 2011

Há cada vez mais alunos de colégios privados a pedir transferência para o público

Associação de escolas do ensino privado alerta para os "custos" que o Estado terá com o aumento da procura no ensino público.
O número real de transferências só será conhecido no próximo mês, quando terminarem as inscrições no ensino público, mas as escolas, os pais e as associações de estabelecimentos privados e públicos garantem que há cada vez mais alunos de colégios particulares a pedirem transferência para escolas estatais.

Em Lisboa já há pelo menos uma escola em que metade dos estudantes do 7.o ano vieram do privado. Logo no início do ano, a direcção da Rainha Dona Amélia começou a notar "um aumento de procura acima do normal por parte de alunos do particular", recorda a directora. Isabel Le Guê admite, porém, que o fenómeno não é novo. "Já o ano passado a procura foi tão elevada que o director regional de Educação mandou abrir duas turmas de 7.o ano na escola vizinha", contou à Lusa.

Estas escolas não são caso único. Na Filipa de Lencastre, a procura também aumentou. "Durante o ano houve muitos pais a tentar transferir os filhos", admite o vice-presidente da instituição, Luís Sequeira.

A tendência é confirmada pelo presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP): "Os colegas que trabalham no particular contam que estão preocupados com a saída cada vez maior de alunos para o público", diz Adalmiro da Fonseca, que acredita que as escolas públicas estão preparadas para enfrentar a nova realidade: "Há uma boa cobertura em todo o país e as escolas terão capacidade para receber todos os alunos." O que é certo é que, a confirmar-se o aumento na procura, muitos alunos "não ficarão colocados na primeira opção", admite.

Estado vai "pagar caro" Porém, a transferência de alunos do privado para o público, alerta o director-executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), vai criar problemas. Ao Estado, às escolas e aos alunos. "Até aqui estas crianças não custavam nada ao Estado e agora passarão a representar, cada uma, segundo as contas do ministério, 6 mil euros por ano", alerta Rodrigo Queiroz e Melo.

Além do aumento dos custos para os contribuintes, a fuga dos colégios - um fenómeno "em crescimento" - prejudica as escolas privadas, que, sem dinheiro, vêm a sua existência ameaçada. "Há postos de trabalho em risco, que se irão traduzir num aumento dos subsídios de desemprego que o Estado terá de desembolsar", diz o responsável. Assim, o director da AEEP defende que as famílias que agora não conseguem pagar as mensalidades no particular devem ser ajudadas pelo Estado. A medida, garante, permitiria "economizar" dinheiro público. No entanto, quem mais sofre com a mudança, diz o responsável, são os próprios alunos: "Estão habituados a um determinado ambiente e tipo de ensino e vêem-se subitamente desenraizados."


por Rosa Ramos

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