O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, escusou-se esta quarta-feira a pronunciar-se sobre a manifestação à porta do comício do PS, mas foi dizendo que «quando o Estado age com injustiça as pessoas indignam-se». À chegada ao almoço-comício em Torres Vedras, o primeiro-ministro demissionário foi recebido por uma manifestação de cerca de uma vintena de pais e alunos do Externato Penfirme, que contestava a nova lei de financiamento do ensino particular e cooperativo.
Durante uma visita ao Colégio de Calvão, em Vagos, uma escola com contrato de associação, Passos Coelho diz que «tem sido a pouca disponibilidade do Governo para actuar com esta dignidade com as instituições que às vezes motiva esta reacção das instituições».
O líder do PSD deu depois como exemplo um colégio de Braga recuperado pela Parque Escolar e que paga actualmente uma renda de 800 mil euros por ano à empresa do Estado. «E depois o Estado vem dizer a estas instituições que servem o interesse público que faz cortes cegos no financiamento porque não há dinheiro. O Estado não pode agir com injustiça. Quando age com injustiça as pessoas indignam-se e têm alguma razão: não pode haver dois pesos e duas medidas».
«Mas estas pessoas, tenho a certeza que percebem que o Estado tem menos dinheiro para lhes dar», disse o líder do PSD. «O que é preciso é que se sentem a uma mesa para ver sem pôr em causa a viabilidade das escolas. Como se pode gastar menos e ainda assim assegurar o funcionamento das escolas é isso que se exige».
«Agora não quero pronunciar-me sobre qualquer incidente que possa ter ocorrido ou dizer alguma coisa que seja entendida como um incentivo à perturbação da campanha eleitoral ou qualquer acto menos correcto. Uma boa razão ou uma boa justiça não impõe reacções que não sejam justas ou reacções que não sejam dignas», frisou.
Antes, Passos foi interpelado por uma criança que lhe disse: «Não gostava que o meu colégio acabasse». «Seria um absurdo, não é? Então um colégio tão bom. Tanto dinheiro que aqui foi investido, tanta gente que pode aproveitar este edifício, aquilo tudo. Todos estes equipamentos. Acham que era uma coisa bem pensada deixar fechar isto para depois construir outro ali ao lado?», perguntou o líder do PSD, que escolheu o dia da criança para «aceitar o convite» que lhe foi feito pela instituição.
Os alunos em coro responderam: Nãoooo!! «Pois é, eu também acho», disse Passos Coelho.
Aos adultos, jornalistas que o questionaram, defendeu que «todas as escolas, sejam elas públicas ou não, precisam de ter uma contratualização, em que os meios e os objectivos estejam definidos, as metas educativas sejam claras, de forma a que as escolas, todas elas, possam responder por elas em ciclos lectivos e não apenas ano a ano porque gera instabilidade para todas as instituições».
«O nosso objectivo é transformar essa forma de o Estado se relacionar com as escolas, mesmo com a escola pública».
E prometeu: «Seremos consequentes com o que fizemos no Parlamento. Os contratos de associação têm de ter regras que sejam claras, que sejam definidas não por portaria, mas que sejam clarificados para todas as escolas por um período largo».
in TVI24







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