O ensino particular viu-se
obrigado a dispensar centenas de professores por causa da crise e,
apesar de os estabelecimentos de topo estarem cheios, os mais pequenos
enfrentam dificuldades que já levaram a encerramentos, por falta de
alunos.
“Continuamos a ter unidades com uma procura muito
grande, embora com alguma rotatividade porque há pessoas que não
conseguem lá manter os filhos, mas outros estabelecimentos estão a
sentir grandes dificuldades”, disse à agência Lusa o diretor executivo
da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo
(AEEP), Rodrigo Queiroz e Melo.
Embora sem ter números precisos sobre a “fuga” de
alunos do ensino privado para o público, o responsável indicou que o
setor privado apresentava uma linha em crescendo que “claramente não
vai manter” este ano.
“Números ainda não temos, mas claramente não vai haver crescimento este ano”, assegurou.
Em consequência da crise, verificou-se também neste
setor “uma diminuição significativa” de postos de trabalho entre
funcionários e professores, particularmente neste último grupo, em
maioria nos colégios.
Rodrigo Queiroz e Melo estima em centenas os
professores dispensados no setor privado, em que já houve
estabelecimentos a encerrar por falta de alunos, nomeadamente na margem
Sul do Tejo, devido a dificuldades financeiras dos pais dos alunos.
“As famílias deixaram de ter capacidade para lá ter
os filhos e os colégios vieram a reduzir turmas até não terem
viabilidade económica”, explicou.
Também o Movimento de Escolas Privadas com Ensino
Público Contratualizado (MEPEC) afirmou existir “alguma fuga destes
colégios”, mas “não tão grande como nos estabelecimentos onde os pais
têm de pagar a totalidade das mensalidades”.
Mesmo assim, alguns pais acabaram por retirar os
filhos de colégios com contratos de associação com o Estado, em função
da crise e da “instabilidade” provocada pela “incerteza” que resultou do
corte no financiamento decidido pelo anterior Governo.
“Acabou por afetar e fazer com que os pais ficassem
com algum receio. Em alguns casos até provocou redução de turmas”,
disse à Lusa o presidente do MEPEC, Valter Branco.
No entanto, afirmou que de um modo geral foram
abertas quase todas as 1.893 turmas previstas para este ano letivo no
total dos colégios com contrato de associação.
A associação confia que o protocolo assinado em agosto com o Governo permitirá ter um ano sem sobressaltos.
“As escolas tiveram de se adaptar a novas condições
no ano passado, tiveram de despedir professores. Em média, foram
dispensados seis a sete professores” por estabelecimento, referiu.
Falta agora chegar a um entendimento com o Governo, diz a AEEP.
O acordo alcançado entre o Governo e o MEPEC para o
financiamento dos contratos de associação estabelece 85.288 euros por
turma para o ano letivo 2011-2012, montante inferior aos 90.000
pretendidos pelo setor, mas acima dos 80.000 determinados pelo anterior
Governo.
No concurso deste ano para professores contratados
nas escolas públicas, ficaram sem colocação cerca de 37 mil docentes,
segundo estimativas dos sindicatos.







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