A Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) discorda da eliminação da disciplina de Formação Cívica, incluída na proposta avançada pelo Governo para a revisão dos currículos dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Secundário.
A disciplina “faz muita falta” para ajudar os alunos a partir do 5.º ano a “adquirirem hábitos de trabalho, a relacionarem-se com respeito e delicadeza e a brincarem de forma criativa e não violenta”, sustentou o presidente da APEC em declarações à ECCLESIA.
Nos anos seguintes, acrescentou o padre Querubim Silva, a Formação
Cívica constituiria uma oportunidade para os “diretores de turma
estabelecerem um diálogo vocacional com os estudantes”.
A exclusão da disciplina, que segundo o Governo vai manter “a
relevância dos seus conteúdos de modo transversal”, já tinha suscitado
um alerta por parte do coordenador do Departamento de Educação Moral e
Religiosa Católica.
Dimas Pedrinho disse em dezembro à Agência ECCLESIA que “a escola não pode deixar de continuar a ter em atenção a formação para a cidadania”, embora a base dessa educação, frisou, deva ocorrer em contexto familiar.
O padre Querubim Silva criticou também a proposta de separar o par
Educação Visual e Tecnológica, dividindo-o em disciplinas autónomas, ao
mesmo tempo que se sugere a redução de dois para um do número de
professores por aula, o que, de acordo com o sacerdote, traduz uma
“redução significativa de recursos humanos”.
“A educação da sensibilidade, que passa pela educação para as artes,
tem de ser uma componente importante no sistema educativo”, vincou.
O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, afirmou em outubro que
compreendia as vantagens de ter dois docentes na sala, mas referiu que
Portugal está sem condições para suportar os custos dessa metodologia.
O diretor da APEC defendeu também a harmonização da oferta escolar
entre o setor estatal e privado: “Se há escolas do ensino particular e
cooperativo que podem cumprir em circunstâncias iguais ou mais
favoráveis o serviço público de educação, não há que estarmos a
atropelar-nos uns aos outros”.
O Secretariado Nacional da Educação Cristã está disponível para
colaborar com o Ministério da Educação caso a tutela queira introduzir
alterações nos conteúdos da disciplina de Educação Moral e Religiosa
Católica, no quadro da reforma curricular.
“Dispusemo-nos oficialmente perante o Ministério para colaborar na
elaboração de textos que tenham a ver com a nossa disciplina, se o
Ministério assim o vier a requerer”, observou Dimas Pedrinho.
O Ministério da Educação argumentou que o objetivo da proposta de revisão curricular, em consulta pública até 31 de janeiro, visa a “melhoria dos resultados escolares” e a “gestão racional dos recursos”.
“A revisão agora apresentada reduz a dispersão curricular, centrando
mais o currículo nos conhecimentos fundamentais e reforçando a
aprendizagem nas disciplinas essenciais”, justifica o documento que
contém a proposta.
PTE/RJMhttp://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=89302







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